Caderno de apresentação · 01 / 04

Conhecer a planta.
BRS Mandobi.

Uma leguminosa para compor o pasto. Conheça a planta, sua nutrição e a contribuição para o solo.

Banco de proteína aos 120 dias após o plantio. Foto: Maykel Franklin Lima Sales / Embrapa · p. 12 do PDF.

01 · Identidade e características

O que é a BRS Mandobi.

Uma cultivar de amendoim-forrageiro da espécie Arachis pintoi, desenvolvida pela Embrapa para uso em sistemas tropicais.

Flor amarela de Mandobi no pasto. Foto: Maykel Franklin Lima Sales / Embrapa · p. 1 do PDF.

É uma leguminosa perene de crescimento rasteiro, com caules que se espalham próximos ao solo. A propagação por sementes permite sua introdução em pastagens com gramíneas ou em bancos de proteína.

Embrapa Acre · folheto da cultivar, 2019 ↗

Conhecer a cultivar e seus usos

É uma leguminosa herbácea e perene, com crescimento estolonífero: seus caules se espalham próximos ao solo. A descrição da cultivar indica porte de 20 a 35 cm e propagação por sementes.

Pode integrar pastagens com gramíneas ou formar uma área exclusiva de leguminosa, utilizada como banco de proteína. A proporção da planta, a cobertura do solo e o manejo determinam como ela participa do sistema.

Fonte: Embrapa Acre, folheto da cultivar, 2019.

A cultivar precisa ser identificada.

Mandobi, Belmonte e Amarillo são cultivares diferentes de amendoim-forrageiro. Dados de uma delas não devem ser apresentados como resultado da outra. O amendoim alimentício, Arachis hypogaea, também é outra espécie.

A seleção da Mandobi reuniu características de estabelecimento, biomassa, valor nutritivo e produção de sementes.

Fonte: Assis, Valentim e Andrade, 2013, pp. 39–40.

02 · Fixação biológica de nitrogênio

Da atmosfera à biomassa.

A associação com rizóbios permite que a leguminosa incorpore nitrogênio atmosférico ao sistema produtivo.

Nas raízes, a planta se associa a bactérias que fixam nitrogênio. Esse nutriente participa da formação dos tecidos e retorna ao sistema com a ciclagem da matéria orgânica.

Uma medida de campo, duas leituras.

Em Mandobi consorciado com Marandu na Mata Atlântica, a referência relata 109 kg de N/ha/ano fixados e um saldo de +33 kg de N/ha/ano. Entrada de nitrogênio e saldo final são medidas diferentes, dependentes das condições do sistema.

Embrapa, 2025 · p. 3, a partir de Homem et al. (2021) ↗

Ver a fixação, a ciclagem e a referência completa

1. Associação nas raízes

A planta forma nódulos em associação com bactérias fixadoras de nitrogênio, conhecidas como rizóbios.

2. Conversão do nitrogênio

A enzima nitrogenase participa da transformação do N₂ atmosférico em formas que a planta consegue utilizar.

3. Formação de tecidos

O nitrogênio incorporado participa da produção de proteínas e do crescimento da leguminosa.

4. Ciclagem no pasto

Resíduos vegetais, decomposição de raízes e retorno de excretas ajudam a circular o nutriente entre planta, animal e solo.

Mecanismo: Embrapa, perguntas e respostas sobre FBN. Ciclagem: UF/IFAS, nitrogênio em sistemas pecuários.

Uma referência quantitativa, com contexto.

109 kg de N/ha/ano é o valor de fixação relatado pela Embrapa para Mandobi consorciado com capim-Marandu na Mata Atlântica, a partir de Homem e colaboradores (2021). O balanço do sistema foi de +33 kg de N/ha/ano: entrada e saldo final são medidas diferentes.

A contribuição varia com o crescimento da leguminosa, sua participação no pasto, o solo, o ambiente e o manejo. Esse resultado não define uma dose universal de adubo substituído por hectare.

Fonte: Embrapa, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 75, 2025, p. 3. O valor de 109 kg é relatado nesse boletim a partir do estudo de 2021.

03 · Mandobi, calcário e ureia

Funções diferentes no mesmo solo.

A fixação de nitrogênio e a correção da acidez tratam necessidades distintas. O planejamento considera as duas.

Aplicação de calcário na área de implantação do banco. Foto: Maykel Franklin Lima Sales / Embrapa · p. 7 do PDF.

O Mandobi não substitui automaticamente o calcário. A calagem pode continuar necessária conforme o solo. A FBN também não fornece todos os demais nutrientes exigidos pela pastagem.

O calcário corrige condições químicas do solo; a ureia fornece nitrogênio mineral. O planejamento depende da análise do solo e da resposta esperada da pastagem.

Comparar as funções de Mandobi, calcário e ureia
Comparação funcional dos componentes
ComponenteFunção principalO que avaliar
BRS Mandobi + rizóbiosEntrada biológica de nitrogênio e produção de forragem.Estabelecimento, presença da leguminosa, nodulação, crescimento e manejo.
CalcárioCorreção da acidez, neutralização do alumínio e suprimento de cálcio e magnésio.Análise do solo, necessidade de correção e características do corretivo.
Ureia agrícolaFonte mineral de nitrogênio aplicada como fertilizante.Demanda de N, resposta da pastagem, dose, época e condições de aplicação.

Fontes: Embrapa, função da calagem; Sistema de Produção de BRS Mandobi, recomendação de calagem, p. 11 do PDF; Embrapa, balanço de nitrogênio, 2025.

04 · Composição nutricional

Proteína e digestibilidade, com a base da medida.

Os teores são referências de análises de forragem. A composição encontrada em uma propriedade deve ser acompanhada no seu próprio sistema.

22,8%

Proteína bruta na matéria seca

Média entre seca e águas na síntese técnica da cultivar publicada em 2013.

65,8%

Digestibilidade da matéria seca

Média anual da referência reunida na mesma síntese técnica.

Referências de forragem na base da matéria seca. O teor encontrado no pasto depende do ambiente e do manejo.

Assis, Valentim e Andrade, 2013 · Tabela 1, p. 40 ↗

Ver as análises nutricionais e suas condições

O banco de proteína da referência de 2019 foi avaliado na Fazenda Boi Verde, com 17,3–20,8% de proteína bruta.

Duas referências da cultivar, em condições distintas
IndicadorSíntese da cultivar · 2013Banco de proteína · 2019
Proteína bruta22,8% · média entre estações17,3% a 20,8%
Digestibilidade65,8% da MS · média anual64% a 73% · avaliação in vitro
Fibra em detergente neutro53,8% · média entre estações47,7% a 55,2%

Fontes: Assis, Valentim e Andrade, 2013, Tabela 1, p. 40; Circular Técnica 77, 2019, p. 13. As referências correspondem a sistemas e condições de avaliação diferentes.

05 · Produção e disponibilidade de forragem

Quanto de biomassa — e em qual período.

Produção anual, acúmulo no estabelecimento e massa disponível no pasto respondem a perguntas diferentes.

Vacas em pasto com amendoim-forrageiro. Foto: Maykel Franklin Lima Sales / Embrapa · p. 1 do PDF.
11–18 t

De matéria seca por hectare ao ano

Referência de parcelas experimentais de 1 m² em Rio Branco, com quatro a cinco cortes por ano.

Sistema de Produção BRS Mandobi · p. 4 do PDF ↗

Produção anual e massa disponível no pasto medem coisas diferentes. A oferta de um consórcio precisa ser acompanhada na área em que será utilizado.

Comparar produção, estabelecimento e estoque de forragem
Leitura das referências de biomassa da BRS Mandobi
MedidaReferênciaCondição de avaliação
Produção anual de matéria seca11 a 18 t de MS/ha/anoRio Branco, Acre; parcelas experimentais com 1 m² de área útil, sob quatro a cinco cortes por ano.
Acúmulo no estabelecimento9 a 15 t de MS/haBiomassa aérea acumulada aos 10 meses após o plantio.
Massa de forragem disponível7,94 t/haDisponibilidade média no banco de proteína descrito em 2019; é uma medida de estoque de forragem, não de produção anual.

Matéria seca é a base sem água.

Ela permite comparar a quantidade de alimento sem confundir diferenças de umidade. Toneladas de matéria verde e toneladas de matéria seca não são medidas intercambiáveis.

O consórcio precisa de medição própria.

Essas referências não devem ser somadas nem aplicadas como produção garantida de uma área consorciada. Proporção da leguminosa, clima, solo, idade de rebrota e manejo alteram a oferta efetiva.

Fontes: Sistema de Produção de BRS Mandobi, conteúdo de 2011, p. 4 do PDF; Assis, Valentim e Andrade, 2013, p. 40; Circular Técnica 77, 2019, pp. 12–13.

Para aprofundar

Estudos e publicações.

Abra uma referência para consultar a autoria, as páginas e o PDF completo.

2019BRS Mandobi amendoim forrageiro: leguminosa forrageira para intensificação sustentável da pecuária a pasto

Embrapa Acre

Folheto de identificação da cultivar. Características de crescimento e forma de propagação.

2013BRS Mandobi: a new forage peanut cultivar propagated by seeds for the tropics

Assis, G. M. L.; Valentim, J. F.; Andrade, C. M. S.

Tropical Grasslands–Forrajes Tropicales, 1, pp. 39–41. Tabela 1, p. 40: valor nutritivo e biomassa.

2011Produção de sementes de Arachis pintoi cv. BRS Mandobi no Acre

Assis, Valentim e Andrade (ed.) · Embrapa Acre, Sistema de Produção 4

Conteúdo publicado em 2011 e migrado em 2016 sem alterações. A data de impressão de 2023 não representa atualização técnica. Páginas citadas correspondem à numeração do PDF de 44 páginas.

2019Banco de proteína de amendoim forrageiro BRS Mandobi: uma alternativa sustentável de alimentação do rebanho leiteiro no Acre

Sales e colaboradores · Embrapa Acre

Circular Técnica 77. Nutrição e manejo, pp. 12–13; produção de leite dos grupos, Tabelas 1–3, pp. 18–20.

2025Resultados econômicos da adoção de pastagens de gramíneas consorciadas com leguminosas forrageiras no bioma Amazônia

Embrapa Acre · Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 75

A p. 3 relata a contribuição de nitrogênio no sistema estudado por Homem et al. (2021). A cifra de fixação foi conferida no boletim; o estudo original é identificado nas referências da publicação.

Referência técnicaFunção da calagem e correção da acidez do solo

Embrapa · Agência de Informação Tecnológica

Referência para as funções gerais do calcário. Doses de outra cultura não foram transferidas para BRS Mandobi.

2017Semeadura de amendoim forrageiro BRS Mandobi em pastagens estabelecidas

Valentim e colaboradores · Embrapa Acre

Circular Técnica 73, 16 páginas. Implantação, pp. 2–8; orçamento histórico, p. 10, Tabela 1; resultados de corte, p. 11.

2020Recria de bovinos de corte em pastos de capim-humidícola consorciados com amendoim forrageiro no Estado do Acre

Sales e colaboradores · Embrapa Acre

Circular Técnica 79. Área e tratamentos, pp. 3–4; taxa de lotação, pp. 11–12, Figura 4; desempenho individual, pp. 12–14.